10/07/2015
Cheguei ao recinto por volta das 18h20. Depois da habitual volta de reconhecimento, concluí que eram poucas as mudanças em relação à edição de 2014.
Os Blasted Mechanism entretinham o público do Palco NOS enquanto os Cold Specks tinham a difícil tarefa de fazer levantar toda a malta que aproveitava para descansar debaixo da tenda do Palco Heineken. Estes últimos deram um concerto mortiço para um público que não estava claramente ali para vê-los e quando neste palco se pedia uma banda animada e que conseguisse pôr um maior número de pessoas de pé, eis que surgem os enérgicos Bleachers. O projecto liderado por Jack Antonoff, guitarrista dos Fun, foi para mim uma das grandes surpresas deste segundo dia do festival. Com apenas um álbum na bagagem, os Bleachers deram um concerto competente, percorrendo Strange Desire quase do início ao fim. Muita interacção banda-público, sorrisos de orelha a orelha vindos da banda quando se aperceberam que estavam a ser muito bem recebidos na sua estreia no nosso país e a típica frase "You are the best audience we've ever had" fizeram com que eu saltasse ao som de Rollercoaster e I Wanna Get Better (com muita pena minha as únicas músicas da banda que conhecia antes do concerto).
Depois da energia chega a melancolia e que grande audiência espera pelos Kodaline no NOS Alive'15. Claramente um público maioritariamente feminino (muita gente na faixa etária dos 16/17 anos) e uma tenda a rebentar pelas costuras. Com 5 minutos de atraso e já com muita gente a dizer "assim não arranjo lugar para Mumford", os Kodaline chegam debaixo de alguma histeria e de múltiplos comentários direccionados ao vocalista, Steve Garrigan. O fervor aumenta quando a banda irlandesa se atira a um dos singles do segundo álbum, é Ready do mais recente Coming Up for Air a escolhida para abrir o concerto numa tarde que parece ser infindável. Lição bem estudada e rapidamente estamos a ouvir High Hopes, momento que deixa toda a gente a berrar em alto e bom som. A banda vai percorrendo músicas dos seus dois álbuns e o namoro entre a banda e o público português encontra-se consumado. Brand New Day, Coming Alive e a balada All I Want (esta última com direito a alguns choros) são outras músicas que são muito bem recebidas. Os Kodaline dão assim um concerto com algumas falhas minoritárias mas que chega para agradar aos fãs e aos festivaleiros que estavam lá pela curiosidade.
Com muita pressa me dirigi para o Palco NOS, faltavam 10 minutos para o inicio do concerto de Mumford & Sons. Este seria o meu 2º concerto de Mumford, 1º no Alive. A expectativa era grande tendo em conta que a fasquia estava muito elevada depois do grandioso concerto da banda no Coliseu de Lisboa. O concerto abre com Snake Eyes, tema do mais recente Wilder Mind e percebe-se claramente que o público está sedento para ouvir o banjo que tornou os Mumford no sucesso que são hoje. E é com I Will Wait servida logo em segundo lugar que os britânicos causam o 1º momento de euforia da noite contando com o público que canta a letra da música em uníssono. A satisfação aumenta quando os M&S se atiram a Below My Feet, Lover of the Light, Thistle & Weeds e Ghost That We Knew, quatro músicas bem conhecidas pelo público e que pessoalmente falando me fizeram gritar até ficar com uma ligeira rouquidão. A cada tema puxado de Wilder Mind percebe-se que este álbum foi muito pouco impactante e que a ideia de retirar o banjo das músicas foi terrível para os Mumford. Pouca ou nenhuma gente está lá para ouvir Ditmas, Tompkins Square Park, Hot Gates e The Wolf (estas duas últimas a fazerem parte do encore) mas Believe ainda consegue acender a chama morta instalada no meio da audiência, talvez por ser o 1º single lançado do último álbum. É com The Cave, Roll Away Your Stone, Dust Bowl Dance e Little Lion Man apresentadas de forma exímia que o público volta a reagir com Marcus Mumford a soltar uns "obrigádô" e "tudo bien" pelo meio. Percebeu-se que os Mumford adoram Portugal e também que Portugal adora Sigh No More e Babel e que é essa a fórmula que a banda deve executar (digo pelo menos no nosso país) para o contentamento dos fãs.
Tempo para repor energias pois espera-se um concerto a fervilhar vindo dos reis do big beat, os Prodigy. Já se avistam alguns grupinhos que se preparam para o mosh tradicional bem como alguns senhores na casa dos quarentas (23 anos separam o primeiro e último álbum da banda). A banda composta por Maxim, Liam Howlett e Keith Flint chega e o vulcão que é o público do NOS Alive'15 rapidamente entra em erupção. Breathe abre o concerto e o caos instala-se, vêem-se copos de cerveja a voar bem como chapéus e outros tipos de acessórios, o mosh começa e o público está em frenesim. Os Prodigy sabem bem como manter os seus espectadores cativados e encetam assim uma prestação estonteantemente boa. The Day Is My Enemy, álbum lançado este ano pela banda, é muito bem recebido com Nasty, Wild Frontier e a homónima The Day Is My Enemy a causarem grande furor mas é com malhas como Omen, Voodoo People, Invaders Must Die, Firestarter e Take Me to the Hospital (última música do concerto) que o espaço em frente do Palco NOS se torna num verdadeiro coliseu romano. Os Prodigy deram para mim o melhor concerto do dia, tendo em conta que conseguiram fazer com que o meu cansaço desaparecesse e se tornasse numa euforia inexplicável.
Mais tarde ainda, Róisín Murphy entretia os sobreviventes de Prodigy e aqueles que escolheram James Blake ao invés dos britânicos. Concerto que pouco me agradou mas que certamente não desiludiu os fãs.
Assim concluí a minha 6ª passagem em anos consecutivos pelos festival de Algés e volto a poder dizer que não choro o dinheiro gasto e que a fasquia eleva-se mais a cada ano que passa.




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